PAULO SALDAÑA – O Estado de S.Paulo

Professores do câmpus Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) pressionam a reitoria para que a unidade se mude da cidade. Um dossiê com o pedido foi entregue ao reitor Walter Albertoni na semana passada. O desconforto com a localização do câmpus já havia surgido entre docentes, mas é a primeira vez que a proposta é oficializada à reitoria.

O documento, de 18 páginas, diz que a unidade é isolada geográfica e culturalmente, além de não acrescentar nada à região onde está, no carente Bairro dos Pimentas. Além de dificultar o acesso à maioria dos funcionários e alunos, colaborando para os altos índices de abandono, a localização prejudicaria as pretensões de excelência do câmpus.

“A dificuldade extrema de acesso ao câmpus Guarulhos impede que os alunos recebam devidamente a formação concebida pelo projeto acadêmico original da EFLCH (Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas)”, cita o dossiê. “A EFLCH dificulta o intercâmbio formativo previsto pelo projeto, o enriquecimento docente e discente pelo diálogo com as variadas modalidades de cultura formal (…). A EFLCH foi fundada para cumprir seu projeto acadêmico original; não para atender às urgências do Bairro dos Pimentas.”

Os professores favoráveis à mudança defendem que os cursos poderiam ir para o centro de São Paulo. A sugestão se dá porque a Unifesp acaba de oficializar o prédio que abrigará um curso de Direito a partir de 2014, no Largo do Paiçandu.

A Unifesp foi para Guarulhos em 2007 por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), com cursos de Humanas. Desde a inauguração há queixas de falta de infraestrutura e dificuldade de acesso. Não há trem ou metrô e as vias que levam ao bairro não suportam o trânsito local.

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