A eleição para a direção da Escola Paulista de Medicina ocorrerá nos dias 10 e 11 de março de 2015. De um lado se coloca uma chapa de continuidade da gestão atual e do outro uma chapa de oposição, mas que também já compõe o conselho gestor da SPDM. E  quais pontos tocam os alunos nessa discussão ?

Ambos os candidatos defendem pontos que nos interessam, como reformas na graduação, incentivo à pesquisa, reestruturação departamental, valorização docente, gestão democrática, dentre outros. Pontos que na eleição passada, há quatro anos, também foram defendidos e, como a experiência nos aponta, não corresponde ao que foi feito efetivamente, a realidade inclusive nos mostra  um movimento contrário, com os docentes ameaçados de serem substituídos por professores terceirizados, bolsas de Iniciação Científica sendo cortadas, esforços contra a coesão de uma Universidade integrada e a favor de um sectarismo epemista. Nota-se também que essas “promessas eleitorais” vão ser obviamente defendidas por quaisquer candidatos.

Quanto a pautas relacionadas à saúde, ambos contêm no programa uma posição favorável à SPDM (Sociedade Paulista para o desenvolvimento da Medicina), sendo associados dela. A SPDM enquanto Organização Social de Saúde (maior da América Latina) que gere o Hospital São Paulo e vários outros estabelecimentos de saúde, é agente ativo da privatização da saúde, ao lado da Empresa Brasileira para Serviços Hospitalares (mais informações vide Bíceps 2014 2ª reimpressão), que segue a lógica de metas e precariza a assistência em saúde.

Em essência, não há diferença programática entre os candidatos. Há, no entanto, promessas de maior abertura e democracia. Mas será que essas promessas são suficientes?

Temos o costume de achar que nosso papel na sociedade é participar de eleições, acompanhar as propostas e quiçá cobrar do seu candidato as promessas dos tempos eleitorais, mas continua-se a esperar que os eleitos façam por nós. Seja o diretor, reitor, presidente, ou até mesmo o Centro Acadêmico. Temos várias experiências de que, por maior que seja a boa vontade das pessoas eleitas, isso não é suficiente. Por exemplo, temos a eleição de uma reitora que compôs a greve de 2012 por melhorias e uma Universidade pública de qualidade, e hoje nada a reitoria pode fazer para termos um bandeijão no Campus São Paulo, para que as bolsas de auxílio estudantil que estão atrasadas sejam pagas, para que tenhamos uma Universidade pública qualidade afinal. Notamos que por mais que aqueles que compõem a reitoria tenham vontade de mudanças, não têm nenhum poder de mudança. O poder de intervir na realidade está diretamente atrelado à força e organização das mobilizações dos principais interessados: estudantes, professores e técnicos.

Concluimos que propostas dos candidatos e sua eleição ou não em nada influencia a vida estudantil, uma vez que as propostas sempre são ideais e quando os estudantes mais precisam, como na conjuntura atual de falta de restaurante universitário, corte e atraso em bolsas, ameça de perda dos terrenos estudantis, os eleitos nada fazem porque- às vezes não por falta de vontade, mas porque vontade descolada de um movimento real capaz de intervir na realidade não muda nada. Além disso, entendemos que a democracia, nos moldes atuais, expressa não a vontade da maioria, mas a vontade dos mais poderosos. Dessa maneira, por mais que a comunidade tenha a vontade de que seus interesses sejam expressos, o máximo que os candidatos farão será “dançar conforme a música”, não por má fé, mas por impossibilidade.

O Centro Acadêmico Pereira Barretto escreve esta nota para  que os estudantes não tenham ilusões de que qualquer uma das candidaturas resolverá os problemas da Unifesp-, tanto os que já existiam , quanto os que virão em 2015 com os cortes do Governo Federal. Temos que nos manter organizados enquanto estudantes, e, em vez de esperarmos que façam por nós, que façamos nós com nossas próprias mãos.

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