O Hospital São Paulo enfrenta a maior crise de sua história. Há anos contraindo dívidas bancárias e atrasando o pagamento de fornecedores, chegou ao ponto em que, tendo os fornecedores se recusado a fazer novas vendas, foi obrigado a fechar o Pronto Socorro, atendendo apenas emergência, para poupar os recursos restantes. Um hospital de 740 leitos, 77 anos de história, com o maior programa de residência e um dos melhores cursos de medicina do país, incapaz de se manter funcionando por não receber o orçamento adequado.

Já estando nesse cenário catastrófico, o Hospital São Paulo agora perdeu 44 milhões de reais, referentes ao orçamento do REHUF (Programa Nacional de Reestruturação dos Hospitais Universitários Federais), que recebia desde a criação do programa. Com o orçamento restante, o Hospital, que atende uma população de mais de 5 milhões de pessoas, apenas tem condição de manter 200 de seus 740 leitos, sendo obrigado a encaminhar centenas de pacientes para outras unidades e a manter o pronto socorro fechado.

A drástica diminuição do atendimento do HSP será um problema para o ensino de centenas de estudantes e residentes, mas, principalmente, um desastre para a saúde de milhões de pessoas que utilizam os serviços do hospital e de seus ambulatórios. O Hospital São Paulo requer nossa atenção, mas não devemos esquecer que sua crise está inserida na crise da a saúde pública, não é um caso isolado.

Recentemente, a diminuição da receita destinada à saúde resultou no fechamento de diversos prontos-socorros na capital e na diminuição de atendimentos. Além disso, nos dois últimos anos 2,6 milhões de pessoas perderam seus planos de saúde, entrando na rede de atendimento do SUS, incapaz de absorver essa demanda. Parte dela foi suprida pelo HSP, que, por não receber um incremento no orçamento, aprofundou sua crise, e chegou na situação que está.

A situação que já é apocalíptica causa preocupação ainda maior, pois em 2016 foi aprovada a EC 95, que limita os gastos públicos com saúde nos próximos 20 anos, havendo correção apenas em relação a inflação. Trocando em miúdos, a crise que a saúde enfrenta hoje não melhorará nos próximos 20 anos, mesmo que o país retome o crescimento.

Anúncios