A formação histórica do CAPB

O CAPB (Centro Acadêmico Pereira Barretto) foi fundado em 7 de agosto de 1933 pelos alunos da recém fundada Escola Paulista de Medicina, então uma instituição privada, criada por 31 médicos e 2 engenheiros em conjunto com estudantes aprovados no vestibular da Faculdade de Medicina de São Paulo, que não tiveram suas vagas garantidas.
Nosso Centro Acadêmico era inicialmente uma entidade civil, associativa dos alunos da EPM totalmente independente financeira e politicamente. Foi fundado junto com a escola (Prof. Jair foi um dos primeiros presidentes). O Centro Acadêmico era importante porque tinha uma representatividade política na vida acadêmica e de um modo geral no país (época em que a UNE era uma entidade legal, com sede no Rio de Janeiro).
Desde então, foi uma história longa de muita luta, começando com a represália sofrida da comunidade catedrática no ato da criação da Escola, que levou a um reconhecimento um pouco tardio da instituição. Passamos por um grande endividamento nos primeiros quinze anos de nossa existência, até a autorização do presidente Gaspar Dutra, para que o governo federal a saudasse em 1949. Esse processo finalmente resultou na federalização da EPM em 1956, porém, o Hospital São Paulo (primeiro hospital universitário do Brasil, fundado em 1940) permaneceu sob administração da Sociedade Civil Escola Paulista de Medicina, hoje chamada de Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), um passado que nos assombra até hoje.
Um dos maiores momentos de sofrimento ocorreu na época da ditadura, quando os Diretórios Acadêmicos (órgãos subordinados a hierarquia universitária) foram criados pelo próprio regime militar  com o intuito de esvaziar o movimento estudantil, se opondo a filosofia antes existente nos CAs (Centros Acadêmicos). Por exemplo, em 1968 o centro acadêmico foi invadido pelo DOPS, vários estudantes foram presos e o mimeógrafo apreendido (o mesmo utilizado para fazer O Barrettinho). Esvaziou-se assim uma boa parte da força política representada pelas entidades estudantis.
Hoje o CAPB continua lidando com várias dificuldades; enfrentamos atualmente os clássicos problemas de falta de verba e falta de espaço, que foram sendo minados lentamente através de diversas mudanças na estrutura universitária, lutamos contra a presença limitadora da SPDM na gerência de diversos espaços utilizados por nossos estudantes (principalmente o HSP, a AAAPB e o próprio prédio do DCE, onde ficam todos os CAs do campus São Paulo), buscamos o controle da expansão universitária precária e descontrolada da qual nossa universidade é um exemplo, e principalmente tentamos acabar com o desinteresse dos alunos pelas causas apresentadas.
O movimento estudantil está esvaziado, mas ainda temos representação estudantil e continuamos promovendo espaços de discussão, debate e engajamento político em prol de uma universidade pública igualitária.

O Barrettinho

Jornal do Centro Acadêmico Pereira Barretto.

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