Olá, estudantes e principalmente calouros da EPM!

Vocês sabem (de verdade) o que é o CAPB?

O Centro Acadêmico Pereira Barretto é o órgão representativo máximo dos estudantes de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Contudo, sua história antecede (e muito) a fundação da Universidade em 1994. O CAPB (nomeado em homenagem a Luiz Pereira Barretto, um grande médico sanitarista, famoso por combater epidemias de varíola) foi fundado em 7 de agosto de 1933 pelos alunos da recém fundada Escola Paulista de Medicina, então uma instituição privada , criada por 31 médicos e 2 engenheiros em conjunto com estudantes aprovados no vestibular da Faculdade de Medicina de São Paulo, que não tiveram suas vagas garantidas.

Nosso Centro Acadêmico foi criado inicialmente com o propósito de propiciar algum lazer aos estudantes, sempre muito ocupados com os compromissos acadêmicos para fazê-lo fora da Escola. Tais atividades de lazer ocorriam através do desenvolvimento de atividades esportivas e do conhecimento científico, que aos poucos levou a questionamentos, formação e atividade política.

Desde então, foi uma história longa de muita luta, começando com a represália sofrida da comunidade catedrática no ato da criação da Escola, que levou a um reconhecimento um pouco tardio da instituição. Passamos por um grande endividamento nos primeiros quinze anos de nossa existência, até a autorização do presidente Gaspar Dutra, para que o governo federal a saldasse em 1949. Esse processo finalmente resultou na federalização da EPM em 1956, porém, o Hospital São Paulo (primeiro hospital universitário do Brasil, fundado em 1940) permaneceu sob administração da Sociedade Civil Escola Paulista de Medicina, hoje chamada de Sociedade Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), um passado que nos assombra até hoje.

Um dos maiores momentos de sofrimento, mas também de glória ocorreu na época da ditadura, quando os Diretórios Acadêmicos (órgãos subordinados a hierarquia universitária) foram criados com o intuito de esvaziar o movimento estudantil, se opondo a filosofia antes existente nos CAs. Contudo, o CAPB resistiu, e mesmo tendo alunos presos e o mimeógrafo (no qual nosso jornal, O Barrettinho, era impresso) apreendido em 1968 por ação das forças opressoras, seguiu sua luta desempenhando papel fundamental na derrubada da ditadura militar.

Apesar do passado glorioso descrito, hoje o CAPB passa por várias dificuldades, enfrentamos atualmente os clássicos problemas de falta de verba e falta de espaço, que foram sendo minados lentamente através de diversas mudanças na estrutura universitária, lutamos contra a presença limitadora da SPDM na gerencia de diversos espaços utilizados por nossos estudantes (principalmente o HSP, a AAAPB e o próprio prédio do DCE, onde ficam todos os CAs do campus São Paulo), buscamos o controle da expansão universitária precária e descontrolada da qual nossa universidade é o maior exemplo, e principalmente tentamos acabar com o desinteresse dos alunos pelas causas apresentadas.

Não, hoje não existe uma ditadura a ser combatida, mas a opressão ainda está presente, disfarçada no macro e no micro, seja em âmbito nacional, estadual, municipal ou dentro da própria universidade. O movimento estudantil está ligeiramente esvaziado, mas ainda temos pessoas boas e com vontade de mudança. Nos resta trabalhar para que o Movimento Estudantil e toda sua história de luta não caiam no esquecimento propiciado pela ilusão de que vivemos tempos melhores, e para que os Centros Acadêmicos não sofram um distanciamento de seus próprios estudantes, estando sempre ativos como locais de lazer, descanso, formação e principalmente como entidades em busca de uma universidade e de uma sociedade justas.

Matheus Ghossain Barbosa – Turma 78

Centro Acadêmico Pereira Barretto

Coordenação Geral – Gestão “APOENAS”


O que é ou o que foi um Centro Acadêmico?

Segundo o Prof. Gianotti:

Era uma entidade civil, associativa dos alunos da EPM totalmente independente financeira e politicamente. Foi fundado junto com a escola (Prof. Jair foi um dos primeiros presidentes). O Centro Acadêmico era importante porque tinha uma representatividade política na vida acadêmica e de um modo geral no país (época em que a UNE era uma entidade legal, com sede no Rio de Janeiro).

Após a Revolução de 64, principalmente de 67 a 68, talvez uma das maiores forças de oposição ao governo na época era representada pelo movimento estudantil e uma fórmula encontrada para se esvaziar esse movimento foi a criação dos diretórios acadêmicos, que passaram a ser órgãos subordinados à hierarquia dentro da vida universitária, mudando com isso a filosofia básica do Centro Acadêmico. Esvaziou-se assim uma boa parte da força política representada pelas entidades estudantis. Na verdadefoi uma época de força x força com muita radicalização e tudo levando a uma desestruturação total.

Hoje o centro acadêmico representa pouco para os estudantes,mas para os que viveram esta época (67 a 68) ele ficou como marco, principalmente o CAPB que conseguiu resistir a toda essa radicalização, sobrevivendo inclusive com uma sede própria, uma vez que a grande maioria das escolas superiores abriram mão dos seus centros acadêmicos em função do aparecimento dos diretórios.

É bom a gente lembrar que hoje a situação é diferente. A volta da entidade estudantil da EPM, mesmo sendo diretório, para o interior da escola sem pressões é excelente, porque, por exemplo, em 1968 o centro acadêmico foi invadido pelo DOPS, vários estudantes foram presos e o mimeógrafo apreendido (o mesmo utilizado para fazer O Barrettinho). A necessidade da construção de uma sede própria surgiu porque o CA estava localizado numa casa na Borges Lagoa, em péssimas condições e era alugada. Só para ter uma idéia, tínhamos um restaurante que funcionava no térreo e no subsolo e um dos alunos da diretoria era responsável pelo cardápio e pela compra dos mantimentos, que era feita geralmente na feira, e tinha um cozinheiro com certa dosagem alcoólica alta (aliás, um bom cozinheiro). Mas a parte do subsolo do restaurante tinha canos de esgoto quebrados e o cheiro se tornava insuportável (principalmente durante o almoço)!

Em 1967 na eleição para diretoria havia as chapas e os candidatos eram eleitos para cada cargo (votava-se nos candidatos e não na chapa). Resultado: entraram 5 de uma chapa e 4 de outra, o que possibilitou uma discussão extremamente sadia e além disso um trabalho muito cobrado.

De início decidimos sair daquela sede, embora sem dinheiro e sem ter para onde ir. Como havia vários terrenos municipais próximos à escola o que pareceu melhor foi o da Rua Diogo de Faria (não havia outro mais perto!). Os móveis foram retirados e guardados na casinha onde hoje é o despachante na Napoleão de Barros.

Em 6 meses o prefeito da época (Faria Lima) deu uma “permissão de uso a título precário e gratuito” para que fosse construído um barracão no número 799 da rua Diogo de Faria.

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